Caro Sr. Eugenio Santana,
Escrevo-lhe estas mal traçadas linhas, e não repare os senões, como diria José Ribamar Bessa Freire (conhece-o?!?) para tentar explicar-lhe os fenômenos que o senhor sofreu em Manaus, infelizmente sem o saber, o que é muito comum e compreensível quando se está mais por fora do que água de coco (não se diz aqui “bunda de índio”!) em Historia e Geografia do Brasil, antigas e atuais.
Pelo seu relato, minha mãe, uma senhora simples que ocupou por pouquíssimo tempo os bancos de escola (seu curriculum vitae resume-se em ter educado muito bem seus filhos), mas viajou pelo Brasil quase todo (e gostou e elogiou cada cidade que conheceu), diria que o senhor sofreu um fenômeno que o sol quente de Manaus causa ao esquentar a moleira do caboclo, a conhecida leseira baré; isso provavelmente teve complicações ao juntar-se ao bodó ticado que o senhor comeu (da próxima vez aceite o tambaqui, ou procure um restaurante de outra nacionalidade; Manaus tem muitos!).
Parece-me que essa combinação não fez-lhe muito bem, o que me leva a crer que o senhor não sofreu aquele outro fenômeno muito mais prazeroso de Manaus, o tesão de mormaço.
Quanto ao fato de amazonense não querer ser chamado de índio, muito provavelmente o senhor esbarrou em falsos amazonenses, desses que vêem de outras cidades para o Amazonas, onde conseguem trabalhos excelentes, que muitas vezes não conseguiriam em suas cidades de origem.
A miscigenação do povo brasileiro não pode ser observada apenas na cor da pele e/ou na região de origem; o Brasil sofreu muitas invasões, desde 1500, e os invasores encantavam-se com as índias, mas isso é História do Brasil, e nem todos gostam de falar apenas de si, como se fosse o mais importante.
Na questão de encontrar muitos torcedores do Flamengo, e não só desse time carioca (mania nossa de ser universal!), colabora o fato do nosso estado não ter uma boa política de incentivo ao esporte, o que, me parece, não é um problema local. Também não é o seu caso (suspeito), que deve torcer apenas pelo time do seu estado, com certeza, no que faz muito bem!
No mais, devo dizer que o senhor citou problemas não apenas locais, mas de todo o nosso querido território nacional, essa Pátria Amada Mãe gentil que, como toda mãe, abriga todos os filhos, sem distinção de educação e/ou bom senso.
Nossa terra e nosso povo são assim mesmo, hospitaleiros, calorosos, generosos, independente de títulos e/ou afetação de quem aqui chega.
Atenciosamente,
Anna Louzada
(uma amazonense não tão viajada como minha mãe, nem educada como o senhor).
"Se queres ser universal, fala da tua aldeia" Tolstoi
quinta-feira, 7 de julho de 2011
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Como sabe o meu nome?!?
Minha irmã Célia é o ser humano mais medroso que eu conheço; para se ter uma idéia, ela tem medo de borboleta! Algo do tipo sobrenatural, então, melhor nem contar para ela.
Em tempos idos, estava minha irmã no Rio de Janeiro, fazendo suas pesquisas, quando entrou em uma igreja em obras; o padre que a recebeu, para assombro dela, respondeu a todas as suas perguntas tratando-a pelo seu primeiro nome.
Ao ouvir seu nome, dito pelo padre, além do arrepio que minha irmã sentiu, procurou observar se tinha se identificado, mas era certeza que não.
E o padre continuava a tratá-la pelo primeiro nome, com a maior naturalidade, o que já estava deixando minha irmã apavorada.
Ao final da conversa com o padre, Célia já se despedia, agradecendo, e o padre:
_ Vá com Deus, Célia!
Aí ela não aguentou! Voltou da porta da igreja, arrepiada até o último fio de cabelo, e perguntou, tremendo de medo da resposta:
_ Escute, padre, como é que o senhor sabe o meu nome, se eu nem me identifiquei?
O padre sorriu para a moça desconfiada, e respondeu:
_ Ué, minha filha, o cordão que você usa tem o seu nome!
Só então Célia lembrou que usava o cordão que ganhara da querida amiga Patrícia, de Manaus.
MORAL DA HISTÓRIA: Se não quer que digam seu nome, não use um cordão com o mesmo!
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Não desçam do caixote!
Desconheço o autor, mas imagino que seja um sábio!
“Todos os dias, em uma praça, um ancião arma um caixote e sobe para falar às pessoas que passam. O homem diz a todos que devem mudar, e amar mais o seu próximo. Ele faz isso todas as manhãs, e as pessoas continuam a passar, sem sequer um olhar para o ancião.
Um dia, um homem que sempre passava e via que o ancião falava em vão, pergunta-lhe:
_ Por que você não desiste? Não vê que eles não querem mudar e sequer ouvem você? Desça daí!
O ancião respondeu:
_ Porque, se eu descer deste caixote, eles é que terão me mudado.”
“Todos os dias, em uma praça, um ancião arma um caixote e sobe para falar às pessoas que passam. O homem diz a todos que devem mudar, e amar mais o seu próximo. Ele faz isso todas as manhãs, e as pessoas continuam a passar, sem sequer um olhar para o ancião.
Um dia, um homem que sempre passava e via que o ancião falava em vão, pergunta-lhe:
_ Por que você não desiste? Não vê que eles não querem mudar e sequer ouvem você? Desça daí!
O ancião respondeu:
_ Porque, se eu descer deste caixote, eles é que terão me mudado.”
domingo, 8 de maio de 2011
O presente da minha mãe
Acho que nunca dei um presente convencional para minha mãe. Não me lembro de ter dado uma roupa, ou um calçado, muito menos um eletrodoméstico.
Certa vez, minha mãe assistia ao Programa do Jô, e viu a entrevista do autor de “Olga”; no outro dia ela me disse que queria aquele livro. Coincidiu de ser às vésperas do segundo domingo de Maio, e aí foi fácil escolher o presente dela.
Também já dei muitos CD’s de presente à minha mãe, mas o presente que eu sempre gostei de dar, e sei que ela sempre gostou muito, são flores. Não um buquê de flores, mas sim flores para serem cultivadas. No jardim de minha mãe existem rosas, rosas-meninas, gérberas, angélicas, entre tantas; a última que eu dei, em Novembro passado, foi dália.
Minha mãe sempre quis ter dália em seu jardim, mas dizem que o clima de Manaus não ajuda muito; sempre que eu via alguém vendendo flores, perguntava pela dália, até que um dia eu encontrei na feira da Eduardo Ribeiro. Comprei o vaso com uma linda plantinha com um único botão, e levei para minha mãe; pena que ela ainda demorou alguns dias para florescer.
Antes que a dália mostrasse sua bela flor que minha mãe tanto queria ver, ela sofreu seu sétimo AVC isquêmico, e depois disso ela não teve mais a mesma alegria de apreciar e cultivar suas flores; e a dália está lá, junto com as outras flores, cada vez florescendo mais. Às vezes eu coloco o vaso mais perto dela, para que ela veja, mas parece que ela já não se apercebe de suas flores.
Hoje, Dia das Mães, dei novamente o presente que sei que minha mãe mais gosta, ou gostava, não importa; dei flores: Azaléias.
Minha mãe pode até não mais aproveitar como antes, mas ela continua sendo a minha mãe que ama/amava as flores!
domingo, 1 de maio de 2011
A doença CÁRIE.
A cárie é uma doença multifatorial. Para que ela se inicie, são necessários quatro fatores: a bactéria Streptococcus mutans, uma dieta rica em açúcar, a baixa resistência do hospedeiro e o tempo
necessário para que o processo de desmineralização do esmalte ocorra. Se um desses quatro fatores não estiver presente, a cárie não aparecerá.
Quando a criança nasce, sua boca é estéril (livre de bactérias). Estudos mostram que, poucas horas depois de nascer já há colonização de bactérias oriundas das pessoas que manipulam as crianças, ainda no berçário da maternidade. Essa colonização continuará em casa, com pessoas que beijam as mãos e pés que o bebê depois levará à boca; também ao soprar a comida da criança, ou usar a mesma colher, pode-se transmitir bactérias e vírus, como o da gripe.
A bactéria metaboliza o açúcar, produzindo ácidos que enfraquecem o esmalte, retirando os minerais (desmineralização). Se esse processo se repete por muitas vezes, em poucos intervalos de tempo, aparecerá uma cavidade no dente (cárie). O Flúor, durante a escovação, “puxa” os minerais de volta para o esmalte (remineralização), impedindo a formação da cárie.
A resistência do hospedeiro (ser humano) também influencia no aparecimento da cárie. Existem pessoas que nunca pegam gripe ou virose, enquanto que outras gripam todo mês. Assim é com a cárie. Irmãos, às vezes, têm a mesma dieta, e só um tem cárie, apesar de escovar os dentes mais vezes, enquanto que o outro mal escova os dentes e não tem cárie.
Nossa boca tem mais de setecentas espécies de bactérias, mas só uma inicia a cárie. O fato da pessoa não ter cárie não significa que ela não possa transmitir a bactéria Streptococcus mutans, mas só a união desses quatro fatores fará com que a cárie apareça.
necessário para que o processo de desmineralização do esmalte ocorra. Se um desses quatro fatores não estiver presente, a cárie não aparecerá.
Quando a criança nasce, sua boca é estéril (livre de bactérias). Estudos mostram que, poucas horas depois de nascer já há colonização de bactérias oriundas das pessoas que manipulam as crianças, ainda no berçário da maternidade. Essa colonização continuará em casa, com pessoas que beijam as mãos e pés que o bebê depois levará à boca; também ao soprar a comida da criança, ou usar a mesma colher, pode-se transmitir bactérias e vírus, como o da gripe.
A bactéria metaboliza o açúcar, produzindo ácidos que enfraquecem o esmalte, retirando os minerais (desmineralização). Se esse processo se repete por muitas vezes, em poucos intervalos de tempo, aparecerá uma cavidade no dente (cárie). O Flúor, durante a escovação, “puxa” os minerais de volta para o esmalte (remineralização), impedindo a formação da cárie.
A resistência do hospedeiro (ser humano) também influencia no aparecimento da cárie. Existem pessoas que nunca pegam gripe ou virose, enquanto que outras gripam todo mês. Assim é com a cárie. Irmãos, às vezes, têm a mesma dieta, e só um tem cárie, apesar de escovar os dentes mais vezes, enquanto que o outro mal escova os dentes e não tem cárie.
Nossa boca tem mais de setecentas espécies de bactérias, mas só uma inicia a cárie. O fato da pessoa não ter cárie não significa que ela não possa transmitir a bactéria Streptococcus mutans, mas só a união desses quatro fatores fará com que a cárie apareça.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Tiradentes não tinha twitter!
Joaquim José da Silva Xavier foi um mineiro que preferiu puxar carroças a entregar as riquezas do Brasil Colônia para seu invasor, Portugal.
A alcunha de Tiradentes devia-se ao ofício de minimizar as dores de dentes dos seus conterrâneos, pois na época não existia nenhuma faculdade de Medicina no Brasil, imagine então de Odontologia!
Após a tentativa de impedir o pagamento dos impostos para Portugal, frustrada pela traição de Silvério dos Reis, Tiradentes foi o único a “pagar o quinto”. Enquanto seus pares, muitos por serem possuidores de bens e/ou filhos de boas famílias, foram exilados, o Alferes foi enforcado e esquartejado em praça pública, ficando seus restos mortais expostos para que servisse de exemplo.
O Amazonas não tem um herói do porte de Tiradentes, e qualquer tentativa de mera semelhança, nos remeteria, no máximo, a um Silvério dos Reis.
Se o Silvério de outrora usasse os nossos recursos atuais, poderíamos dizer que o embate estaria equilibrado, pois já não existe a possibilidade da execução em praça publica, apesar do youtube. Porém, os tempos eram outros, onde qualquer pessoa poderia chegar e perguntar “É aqui que trabalha o Tiradentes?”, e aí, como ele não tinha twitter, enforcar o alferes!
A alcunha de Tiradentes devia-se ao ofício de minimizar as dores de dentes dos seus conterrâneos, pois na época não existia nenhuma faculdade de Medicina no Brasil, imagine então de Odontologia!
Após a tentativa de impedir o pagamento dos impostos para Portugal, frustrada pela traição de Silvério dos Reis, Tiradentes foi o único a “pagar o quinto”. Enquanto seus pares, muitos por serem possuidores de bens e/ou filhos de boas famílias, foram exilados, o Alferes foi enforcado e esquartejado em praça pública, ficando seus restos mortais expostos para que servisse de exemplo.
O Amazonas não tem um herói do porte de Tiradentes, e qualquer tentativa de mera semelhança, nos remeteria, no máximo, a um Silvério dos Reis.
Se o Silvério de outrora usasse os nossos recursos atuais, poderíamos dizer que o embate estaria equilibrado, pois já não existe a possibilidade da execução em praça publica, apesar do youtube. Porém, os tempos eram outros, onde qualquer pessoa poderia chegar e perguntar “É aqui que trabalha o Tiradentes?”, e aí, como ele não tinha twitter, enforcar o alferes!
terça-feira, 12 de abril de 2011
SE!

A menina de sete anos entrou no consultório da UBS aos gritos. Pedi que a mãe a colocasse na cadeira enquanto eu olhava o prontuário, que informava que a criança estava com anemia.
Como existem vários tipos de anemia, e a mais comum que vejo é a ferropriva (onde a criança não é alimentada corretamente), perguntei à mãe:
_ A sua filha se alimenta bem? O que ela come?
E a mãe:
_ Ela come bem, sim! Ela come hamburger, come iogurte.
aqui
A conversa seria difícil, vi logo. Mas como a menina estava com dor de dente, resolvi intervir, com a ajuda da mãe para conter a paciente, para poder anestesiar e realizar o tratamento que tiraria a dor da pequena.
Após concluir o procedimento, sempre com a criança aos berros e pinotando, fui explicar para a mãe a importância de uma boa alimentação para a saúde integral daquela criança (Sim! Eu faço isso também no serviço publico!), mas percebia que “entrava por um lado e saia pelo outro”. Tudo bem, por hoje. Pedi à mãe que marcasse a próxima consulta para a menina continuar o tratamento.
No outro dia, ao chegar ao Posto, quem eu encontro de primeira? A mãe, muito brava:
_ Olha o que a senhora fez na boca da minha filha! – mostrou a boca da criança – Eu vou processar a senhora!
A menina apresentava o lábio mordido, devido à anestesia, o que comumente acontece em crianças, por mais que expliquemos aos pais como evitar.
Novamente expliquei para a mãe porque aquilo acontecera, e tentei receitar um remédio para passar no locar, mas ela estava irredutível e não quis conversa comigo.
Como eu não conhecia essa mãe (foi a primeira vez que atendi a criança) resolvi esperar o processo. Também resolvi esperar que ela voltasse para continuar o tratamento, o que não ocorreu. Alguns funcionários no Posto me diziam que aquela mãe era maluca, e que eu não ligasse.
A vida continuou.
Um mês depois, chego ao Posto, e novamente encontro a mesma mãe:
_ Doutorinha (assim mesmo!), a senhora poderia me indicar um amigo seu, para colocar aparelho na minha filha? (a mesma menina que sequer fez o tratamento odontológico).
E eu, com a cara mais limpa do mundo:
_ Minha senhora, se eu tivesse que indicar, seria um inimigo, e nunca um amigo!
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